aparicíon

by Jonatas Onofre

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about

Muito. Imenso é cantar. Uma breve aparicíon. Brasa que se pereniza no sopro e no grito. Constelares, miudezas. Espirais marinhas, horizontes intocáveis, sumiços por dentro da gente. A lição ingrata de desdizer o amor. Cabeças na velocidade do soluço, no vento. A mudez levita na solidez do sonho e na fumaça. Águas inflamando a chaga no peito repleto de fogueiras. Cantar para os que foram, cantar para os que vem: cantar a dor desconhecida e o sofrimento que se reparte em muitas outras feridas e em cada pele. Cantar aos que estão - olhos abertos, mãos crispadas num veludo que não se vê - ainda por aqui. Aos loucos, aos incansáveis, aos que morrem resolutos no próprio sangue, aos que sorriem no olho da catástrofe, aos que sabem que virá, aos que não suspeitam que já veio, aos que choram com a mão dentro de uma supernova, aos que nascem com os cabelos banhados em luz e desespero, aos que abrem-se e abrem-se num absoluto gesto de entrega e não sabem o que é ter medo de gastar-se, à feminina voz de tudo em todos, de todos em tudo, à mãe e ao pai, ao pé na terra, ao pé no mar, ao pé no céu, ao corpo no fogaréu. Oração desatinada, sacro mistério do sacrilégio, obra "inaparecida" (e sempre que houver sussurro num ponto equidistante entre agora e quase depois), sem hora, sem lugar, senhora de minhas vastidões, canção vem por aqui, atravessa minha face dilacerada, tudo o que sou, o que não preciso querer. Ah os átrios do meu peito, meus amigos, casas de consolo e sorriso. Lembranças, profundas crateras nas costas da mão: eu oferendo-me à vida que não aceita coisa menor que toda uma vida. Apareçam de cada recanto: palavras, assovios, latidos e o canto digno dos galos, meu quintal é a fotografia exata da paisagem mais sincera que alguém já pôde vislumbrar no meu coração. A correnteza dos anos me leva pelos braços, pelas pernas, pelos cabelos... mas eu também estou aqui. Existo para surgir do fundo desse rio sem vau, aqui e ali e ainda mais quando ninguém acreditar em sobrevivência. O gume de pedra, água, fogo e vento sobre minhas esperanças. Aquilo que me carrega. Meu canto, minha luz. Que eu seja aparicíon, que você aqui diante de mim seja aparicíon. Aquilo que nos carrega, o abraço de nossos silêncios. Aquilo que nos carrega. Nosso canto, nossa luz.

credits

released January 21, 2017

Aparicíon

A
1. Aparicíon [letra: André Monteiro / música: Jonatas Onofre]
2. Alguma Voz [letra e música: Jonatas Onofre]
3. Desatino [letra: Zizo e Jonatas/ música: Jonatas Onofre]
4. As coisas são assim [letra e música: Jonatas Onofre]

5.Cabeças no Vento: [letra: André Monteiro / música: Jonatas Onofre]

B
6.Horizontes [letra e música: Jonatas Onofre]
7. Sumiço [letra: Tarcísio Neto e Jonatas / música: Jonatas Onofre]
8.Átrios (instrumental) [Raul Albuquerque / Jonatas Onofre]
9.Víscera & Nuvem [letra: André Monteiro / Música: Jonatas Onofre]

Gravado entre os dias 28 de outubro e 07 de dezembro (véspera do 89º ano do aparecimento de Maria Sabino de Moura) no último quarto da casa nº07 em Tabatinga / Igarassu - PE

Todos os instrumentos e vozes por Jonatas Onofre
Capa: Edilma Cavalcante

Esse disco é de Jéssica, Zizo, Mariluce, Jonatas, Raul, Jonjon, Venício, Neuza, Geraldo, Carlos, Ildefonso, Xavier, Alice, Edilma, Jair, Camillo, Ítalo, Tarcísio, Matheus, Philipe, André, Ivandro, Danuza, Lifeson, Marilene, Ulda, Roberto, Maná, Gilberto, T'isté, Bruno, Lady, Levi e Maria Sabino de Moura.

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about

Jonatas Onofre Igarassu, Brazil

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Track Name: aparicíon
o sol sai bem cedinho,
como tão bem a canção,
nasce o céu feito flor,
caule, espinho, botão
se abrindo bem no alto
da vida que nasce do chão.

no céu, o sol é forte
e nós, da mesma medida
do nunca que sempre se sonha
virar em cada ferida
aberta, nascendo a flor
da guerra no bosque da vida.

a vida nossa de chão,
de areia apontando o futuro,
é por onde entra o sol,
onde se acha o escuro
da canção, semente fresca,
da raiz, o tronco duro.
Palavra é tudo.
Track Name: alguma voz
Toda mudez levitará
num ar puro, toda luz
abrindo as asas, se aclarar
num gesto intenso,
uma paz

sopram os mares
em espirais
deixam no vento
alguma voz

subir
sem peso algum,
sem hora, nem lugar

sentir
o corpo abrir,
imenso é cantar
Track Name: desatino
em suma sumo
no teu rumo
e me acostumo
ao vento

invento histórias,
mas a memória
não diz o quanto
intento

vejo-me em ti
além do destino
se até hoje existi
foi por esse desatino
Track Name: as coisas são assim
Muito cedo você descobriu
o que é viver, o que é sorrir
sem querer viver, sem querer sorrir

muito cedo você descobriu
como não dizer, como parecer
que tá tudo bem quando há muita dor

muito cedo você aprendeu
que as coisas são assim
as coisas são assim,
as coisas são assim

muito cedo você percebeu
que os olhos vão muito além da luz
de um sol qualquer para conversar

muito cedo você percebeu
que estamos sós, longe de saber
o que não será, o que vem depois

muito cedo você aprendeu
que as coisas são assim
as coisas são assim,
as coisas são assim

muito cedo você escapou
dessa mão feroz, delicada e má,
dura e capaz de nos afagar

muito cedo você escapou
de perder a voz, esquecer a vez
e deixar passar o que não se diz

muito cedo você aprendeu
que as coisas são assim
as coisas são assim,
as coisas são assim

muito tarde eu reconheci
que sendo mesmo assim, as coisas
sendo sim, um jeito de existir
eu sempre quis fugir de mim
Track Name: cabeças no vento
sobre a estrada do desespero
eu encontrei uma espada
coloquei sobre a cabeça
matei a palavra

o novo não está vivo
mas já chegou e assola
os corações mais velozes
nessa tarde meia, meia
meia viva, ninguém
se importa

um olho
e a catástrofe cresce
seu fogo
dentro desse nosso
nome tão cheio de portas
e portas
sonhei que a gente
não via o destino do
mundo
nossas cabeças no vento
e a espada girando
cortando as veias
do amor
Track Name: horizontes
Nada está direito
entre nós
uma sombra só
respira a noite
em teus cabelos
tens um jeito antigo
de dizer que não
pode ser

não existe outra
maneira de
olhar nos teus olhos
para ler as horas
mortas
há um sol comigo
me roendo as roupas,
os lençóis

você diz
tudo bem
mas eu nunca acreditei
sempre a sós
nada além
horizontes sem saber
se tocar
Track Name: sumiço
foi-se muito,
a vida já cresceu
nas tramas da tua
clareza vã
Há tanto ar
em cada segundo...
e não me mostrar
tuas mãos
a luzir

me fez querer te ver,
neste pomar gritar
toda minha vida.
sei, estás sentida...
com vasta fraqueza,
porém sem ouvir de mim
que eu lembrarei
onde estás e sem voz
mesmo assim dizer
você me deixou
por deixar

se tu vens
aclarar
posso te ver,
meu bem...
sem estar.

ah
é o amor esse sumiço
por dentro
do mais profundo
se há beleza
nesse mundo
só vai...

se mostrar
através
do teu silêncio
em mim
vem calar
Track Name: víscera & nuvem
I
disparo contra teus seis mil sóis
não sei se sou ponto de luz ou sombra apressada em teu
Espelho
espero tua Voz
tua magnética Voz a velar meu sono e espantar meus fervorosos
olhos
florescendo em tua manhã
tua manhã de seis mil horas dispara contra minha preguiça que
já se arrasta há séculos na família
meu corpo se arrasta pelos teus relógios
se lança sobre teu Não e recolhe as pálpebras
tudo é réstia
tudo reflete teus seis mil olhos de Gueixa Gótica
tua cabeça pendurada no Nada gritando
VAIEMBORAVAIEMBORAVAIEMBORA
eu tento mais um Não
eu tento mais um abraço de escombro
eu tento mais um escorpião escondido entre os astros e os
êxtases da infância
eu tento mais
eu tento mais
súbito
apoio os cotovelos sobre tuas costas
e espero um vagalume
II
há muito Tempo já não sou Rédea
e as nuvens não dizem adeus.